Demissão durante o aviso prévio: quando a justa causa é legal e quando não é

Uma mulher recebendo justa causa enquanto cumpria aviso prévio.

O que é o aviso prévio e o que ele representa na prática

O aviso prévio é um direito e também um dever que surge quando uma das partes decide encerrar o contrato de trabalho. Pode ser trabalhado (quando o funcionário cumpre os últimos dias no emprego) ou indenizado (quando a empresa opta por encerrar imediatamente e pagar os dias correspondentes).

Mas o ponto mais importante é: durante o aviso prévio, o contrato de trabalho continua ativo. Isso significa que o empregado ainda precisa cumprir suas obrigações, e a empresa ainda tem deveres legais até o último dia.

Na prática, o que muda é que já existe uma data para o fim do vínculo. Porém, se o trabalhador cometer uma falta grave, ainda pode haver a rescisão imediata por justa causa.

É possível ser demitido por justa causa durante o aviso prévio?

Sim, é possível — e legal. Muita gente acredita que, uma vez no aviso prévio, não pode mais ser demitido por justa causa. Mas essa ideia está equivocada.

A CLT, no artigo 482, lista diversas condutas que autorizam a demissão por justa causa, como: atos de indisciplina, insubordinação, desídia (preguiça ou negligência frequente), agressões físicas ou verbais, entre outras.

E isso vale também durante o aviso prévio trabalhado. Como o contrato ainda está em vigor, qualquer comportamento considerado falta grave pode resultar nessa forma de rescisão. E o impacto disso é significativo.

Leia também: Demissão no período de experiência: direitos trabalhistas e orientações essenciais

Quais são os direitos perdidos em caso de justa causa no aviso prévio?

A demissão por justa causa implica em perda de diversas verbas trabalhistas, incluindo:

  • O restante dos dias de aviso que ainda faltavam;
  • O valor proporcional do 13º salário;
  • Férias proporcionais com acréscimo de 1/3;
  • Multa de 40% do FGTS;
  • Direito ao saque do FGTS;
  • Direito ao seguro-desemprego.
Homem recebendo aviso de aviso prévio no trabalho.

A Súmula 73 do TST reforça que o empregado perde “qualquer parcela de cunho indenizatório” nesse tipo de desligamento. Ou seja, além da demissão mais dura da legislação trabalhista, o impacto financeiro é grande.

O que o empregador precisa comprovar para aplicar a justa causa nesse período

A justa causa é uma medida extrema e exige comprovação clara da falta cometida. Não basta a empresa alegar que o empregado “teve má conduta” — é necessário que:

  • Haja um histórico de advertências (verbal, depois escrita);
  • Ocorram suspensões, se for o caso;
  • Tudo esteja devidamente documentado.

Se o trabalhador faltar ao trabalho, por exemplo, a empresa precisa demonstrar que tentou contato, enviou notificações e esgotou as tentativas de solução.

Sem provas, a justa causa pode ser considerada abusiva, usada apenas para evitar o pagamento de verbas rescisórias. Isso é ilegal e pode ser revertido judicialmente.

Documentos que comprovam e justificam uma justa causa durante o aviso prévio.

E se for o empregador quem comete a falta grave durante o aviso?

A legislação também protege o trabalhador nesse cenário. O artigo 490 da CLT garante que, se o empregador cometer uma falta grave (como assédio moral, não pagamento de salário ou outras situações previstas no artigo 483), o funcionário pode encerrar o vínculo imediatamente — e sem perder nenhum direito.

Nessa hipótese, o trabalhador tem o respaldo legal para sair da empresa, mantendo o direito às verbas rescisórias como se tivesse cumprido o aviso normalmente.

Homem despreocupado, bebendo durante o horário de almoço. O mesmo está em aviso prévio, e essa falta grave, justifica uma demissão por justa causa.

O que fazer se você foi demitido por justa causa no aviso prévio

Se você foi dispensado por justa causa durante o aviso prévio, nem tudo está perdido. É possível contestar a demissão, principalmente se ela tiver sido injusta, desproporcional ou sem provas concretas.

Veja o que fazer:

  1. Reúna provas: e-mails, mensagens, testemunhas, documentos. Tudo que ajude a demonstrar que a justa causa foi injusta ou mal fundamentada.
  2. Evite assinar documentos sem ler com calma. Se tiver dúvidas, registre isso no momento da assinatura.
  3. Fale com um advogado de confiança. Um profissional poderá analisar o caso e orientar o melhor caminho — inclusive uma ação judicial, se for o caso.

A Justiça do Trabalho já reconheceu diversos casos em que a justa causa foi revertida por falta de provas ou uso indevido do instituto.

Conclusão

Ficar atento aos seus direitos durante o aviso prévio é fundamental para evitar surpresas desagradáveis, especialmente quando falamos de demissão por justa causa. Embora seja possível a justa causa nesse período, a empresa precisa seguir regras rígidas e comprovar as faltas graves. Se você sentir que seus direitos foram violados ou que a demissão foi injusta, não deixe de buscar ajuda. Reunir provas e conversar com um advogado de confiança pode fazer toda a diferença para garantir o que é seu por direito.

Não deixe essa situação para depois. Procure um advogado de confiança para analisar o seu caso e proteger seus direitos.

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